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Fazer exercícios e ter boa alimentação ainda são as melhores formas de evitar
problemas cardíacos.


A pessoa não precisa ir necessariamente a um cardiologista, mas precisa ir a algum médico que a examine, olhe sua pressão e peça os exames de sangue de rotina, como colesterol e dosagem da glicose, entre outros. Se o especialista, por exemplo, detectar alguma alteração, então deve encaminhar a paciente ao cardiologista - Márcia de Melo Barbosa, cardiologista

Com o aumento da expectativa de vida, as doenças do coração, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC), tendem a aparecer com mais frequência na população idosa. A informação é importante para se estabelecer políticas públicas para a prevenção desses problemas. Como diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar, principalmente quando o assunto é a saúde desse órgão tão vital. “A melhor forma de abordagem desses problemas é a prevenção”, lembra a cardiologista do Hospital Socor e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Márcia de Melo Barbosa, que foi recentemente eleita presidente da Sociedad Interamericana de Cardiologia (Siac).

Segundo a especialista, quanto antes forem identificadas predisposições para os problemas cardíacos, como diabetes, hipertensão arterial, colesterol alto, mais eficazes serão as medidas para evitar infarto e outras complicações cardíacas. No entanto, apesar dos alertas e campanhas educativas, a especialista lembra que até 50% das pessoas com doenças no coração desconhecem ter o problema ou não o tratam adequadamente. Algumas medidas são essenciais, como evitar a obesidade, fazer atividade física regularmente, ter uma alimentaçãoequilibrada, tratar a pressão alta e o diabetes.



Outra arma bastante eficaz é consultar regularmente um médico a fim de que ele possa detectar eventuais problemas, checar níveis de colesterol, glicose, orientar a prática de exercícios, e, se necessário, solicitar outros exames diagnósticos. Na cardiologia, os testes de imagem crescem em importância e qualidade da informação oferecida. São cada vez mais rápidos e menos agressivos ao corpo (não-invasivos). “São exames que não agridem o paciente”, pontua Márcia.

Tempos atrás, para o cardiologista detectar um problema em uma válvula do coração, era preciso realizar o cateterismo – uso de um cateter que chega até o coração, e permite visualizá-lo e fazer medidas das pressões dentro dele. “Porém, isso envolve irradiação e contraste”, lembra. Atualmente, os cardiologistas contam com uma gama de exames menos invasivos, como teste ergométrico, ecocardiograma, tomografia das coronárias, exames de cardiologia nuclear e ressonância magnética, que permitem diagnosticar os vários problemas do coração.

O teste ergométrico, que é um exame simples e barato, em que o paciente faz exercício enquanto os batimentos do coração são acompanhados, pode ajudar o cardiologista a identificar se a pessoa tem predisposição para infarto. O ecocardiograma consiste no uso do ultrassom para visualizar e avaliar o funcionamento do coração. A tomografia pode ser usada para identificar obstrução nas artérias coronárias. O uso adequado desses exames permite detectar inúmeras doenças do coração, evitando muitas vezes graves consequências. Por exemplo, um atleta que seja portador de doenças, como miocardiopatia hipertrófica ou displasia arritmogênica do ventrículo direito precisa ter conhecimento de seu problema, pois o exercício competitivo pode inclusive levar à morte súbita.

CHECKUP Com o coração não se brinca. Por isso, as pessoas com mais de 30 anos devem fazer checkup com regularidade. “A pessoa não precisa ir necessariamente a um cardiologista, mas precisa ir a algum médico que a examine, olhe sua pressão e peça os exames de sangue de rotina, como colesterol e dosagem da glicose, entre outros. Se o especialista, por exemplo, detectar alguma alteração, então deve encaminhar a paciente ao cardiologista”, diz.

Os exames podem ser realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas, infelizmente, sabemos que, no caso dos exames mais complexos, a fila é grande. Já os planos de saúde autorizam todos esses exames, desde que bem indicados. “Os mais simples, como o teste ergométrico e o ecocardiograma, não são exames caros”, diz. A cardiologista lembra que alguns exames, embora sejam bastante eficazes na detecção de problemas cardíacos, devem ser realizados apenas quando estritamente necessários, pois expõem o paciente à irradiação. É o caso da tomografia, da cintilografia e até mesmo do cateterismo, que devem ser realizados apenas quando bem indicados, pois sabe-se que a irradiação aumenta a chance de câncer, outra importante causa de mortalidade.